PASSOS DE SANTO ANTÓNIO

O Santo António quando em Junho puxa o treze
sai para a rua a noite inteira a foliar,
fechando a igreja para que ninguém lá reze
deixa o Menino adormecido no altar...

Reune os anjos perfilados no cruzeiro
E organiza com desvelo a procissão,
distribuindo a cada um o seu pandeiro,
coloca à frente o tocador do acordeão...

Ai-ai... Ai-ai...
Vou neste fado
vá o fado aonde for...
Ai-ai... Ai-ai...
O Santo António
vai levar-me ao meu amor.

Avança a marcha de arquinho e balão,
a passo certo segue alegre a romaria
e lá no meio também vai o São João
que quer treinar para os passos do seu dia...

Engrossa a rusga ao entrar na avenida,
todos unidos de mão-dada e a bailar,
lançam ao vento as canseiras desta vida
e desabafam as tristezas a cantar...

Quando se abeiram da praça da Liberdade,
entre fogueiras e fogo solto no ar
até os velhos a morrerem de saudade
largam as velhas para passarem de par...

Mais um milagre Santo António vai fazer,
levado aos ombros na onda da multidão
que a marchar em delírio e a viver
se dá da alma aos passos do coração...

António Torre da Guia


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